sexta-feira, 27 de março de 2009

Stooges - S/T (1969)



Em homenagem a Ron Asheton, guitarrista de nosso caríssimo Stooges, que nos deixou recentemente, enviamos um link para o primeiro álbum desta banda (lançado em 1969) que com suas pedradas toscas e primitivas influenciaram muita gente e muitos movimentos ao redor do mundo... que sempre preferiram colocar o instinto na música, em vez de uma habilidade padronizada e alienante.


Tracklist:
1.1969
2.I Wanna Be Your Dog
3.We Will Fall
4.No Fun
5.Real Cool Time
6.Ann
7.Not Right
8.Little Doll

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

The Kinks - You Really Got Me (1964)


Na década de 60, os artistas eram contratados por grandes gravadores, salvo muitas exceções, por mérito. Hoje em dia, é tudo na base da "amizade", ou da influência que o artista tem ou pode exercer, ou ainda teria que ter um rostinho que chamasse a atenção das menininhas, carisma e por aí vai. Ou seja, nada que realmente tenha a ver com a música propriamente dita. Quando a RCA contratou assinou com estes londrinos, em 1971, a banda já tinha uma certa estrada longa traçada, e era o fim da fase realmente "barulhenta" da banda, fazendo com que os irmãos Davies tirassem da gaveta suas canções menos furiosas. Mas, aos nossos amigos garageiros que freqüentam este blog, trago-lhes a principal compilação dos trabalhos dessa fase inicial do grupo, com vocais rasgados, batidinhas Mod típicas da época, guitarras bem amplificadas que irrompem num som que influenciou praticamente tudo que foi produzido nas cenas alternativas entre 1964 e 1981, que sem dúvida prenunciou o Punk e (dizem alguns) até mesmo o Heavy Metal (embora o som dos Kinks nada tenha que ver com esse gênero). Era uma música incomum, mesmo obscena para a época, o que fez com que a banda fosse jogada aos mais fétidos recônditos da indústria fonográfica. Este é o disco de estréia da banda, acrescido de muitas faixas extras, de material outrora inédito da banda. Nele consta o terceiro single da banda (e o primeiro mais ou menos conhecido), que hoje em dia é um clássico absoluto do Rock: You Really Got Me, que freqüenta desde rádios Mainstream, até os mais obscuros clubinhos undergrounds do mundo todo. Trata-se de um disco fantástico, que faz com que cantarolemos as músicas horas depois de tê-las ouvido. Fantástico!!!!!!

1.Beautiful Delilah
2.So Mystifying
3.Just Can't Go to Sleep
4.Long Tall Shorty
5.I Took My Baby Home
6.I'm a Lover Not a Fighter
7.You Really Got Me
8.Cadillac
9.Bald Headed Woman
10.Revenge
11.Too Much Monkey Business
12.I've Been Driving on Bald Mountain
13.Stop Your Sobbin'
14.Got Love If You Want It
15.You Still Want Me
16.I Don't Need You Anymore - (previously unreleased)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

The Hi-Risers - Rockin' Spree (2006)



Àqueles que apreciam o Rock and Roll na sua forma mais pura, trago-lhes esta fantástica banda "ianque". Com uma profusão dançante, instrumentos bem tocados, uma energia que brota não se sabe de onde, eles conseguem animar qualquer festa, ou mera aglomeração. Este fantástico disco (na verdade uma compilação), em suas 14 faixas a banda consegue se afirmar como uma das melhores do Revival americano e mundial... Recomendado a todos que gostam de bandas como The Kaisers, Silver Bullets e outros.. Um dos discos da década!
Abstract from Soundflat:
Even if The Hi-Risers consider themselves a pure all American Rock-n-Roll band, in their music you can find different genres like Rhythm&Blues, Country, Doo Wop, Rockabilly, or Surf (two of their favourite bands are NRBQ and The Skeletons, if that gives you any idea!). The Hi-Risers mix all these ingredients with amazing ease, a true marvel of spontaneous versatility not seen in many years. And all without being retro at all, and without using any worn out cliches. The Hi-Risers are the keepers of the best American rock-n-roll tradition and they deliver it to today's audiences in a totally fresh and spectacular way. "ROCKIN SPREE" is their fifth album and the first one to be released in Europe. It compiles some of the best tracks from previous albums and, more importantly, new recordings of songs that have been released before on different records, especially their first and long long outta print album "Panic." So, "ROCKIN SPREE" can be considered an unbeatable collection of hits and also a brand new record (since it contains eight new recordings). In any case, this is the best introduction to the European markets for one of the best American rock-n-roll bands of today. With the explosive rock-n-roll assault of the title track, the truckin' honky tonkin' "Gear Bustin' Sort of a Feller," the echoes of the golden age of surf music of "Wild Romance", the Fab Four parody of "Ain't No Beatle", novelty numbers like "Call Me Wolfman" (howls included), and the best Fender Telecaster of the decade, "ROCKIN SPREE" by The Hi-Risers is without a doubt the rock-n-roll record of the year!!
Track listing:Foundation Rock
Rockin' Spree
Wild Romance
Call Me The Wolfman
I Found My Baby (On My Lost Weekend)
Ain't No Beatle
Gear Bustin' Sort Of A Feller
One Note Joe
That Rock & Roll Beat
Panic
Johnny, Jim & Jack
Bugle Ann
Top Shelf
Whole Lotta Shakin' Goin' On.

Download

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Batmobile - Discografia...!




Apresento-lhes os demais álbuns desta fantástica banda. Anteriormente já enviamos a coletânia básica "Rockabilly Tracks" e a estréia Bambooland.
Sem mais delongas, seguem-se os links:

Sex Starved:

Tracklist:01 Uranium Love02 S.P.O.C.K.03 king's Evil04 Rockthis Planet05 Can't Stop This Rock06 Roll On07 Police At The Door08 Haemorrhoid Rock09 Sex Starved10 In Orbit11 The Living Have More Fun12 Rockin' Rooster13 Mean Ugly Mama14 Give Me Some Pussy
http://lix.in/326ab6ef


Welcome to The Planet Cheese:


Blast From The Past:


Hard Hammer Hits:


Bail was set in $6,000,000:
1.Kiss Me Now
2.Magic Word Called Love
3.Can't Find My Way Back Home
4.Mystery Street
5.Calamity Man
6.Shoot Shoot
7.Gorilla Rock
8.Gates of Heaven
9.Girls Girls Girls
10.Hang On
11.100 Pounds of Trouble
12.Ace of Spades


First Demo Recordings:


Mini-Album:


Is Dynamite!:


Agradecimentos a Horror Psycho, que nos enviou esses preciosos links...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Cock Sparrer - Live And Loud! (1985)



Freud já afirmara que o nosso subconsciente é muito mais poderoso que as nossas porções racionais e lúcidas. Estas, por sinal, estão inerentemente dependentes da porção insana que há dentro de nós. Creio ser esta a síntese do Punk Rock. Algo absolutamente impulsivo, irracional, explosivo... Se dizem que as forças irracionais destroem tudo, e que elas dependem de um impulso inicialmente de desprezo de nossa razão... este desprezo pela razão poderia muito bem provocado por nossa negligência quanto à vida. Àquela sensação de que nada mais dará certo, quando se está de saco cheio e dizemos “foda-se tudo!” – “eu quero é zoar!” Nada melhor que o furor do Punk Rock para inserir isto em nós! A música agressiva (incluindo o Heavy Metal) serve muito bem para nos libertar das mordaças que a racionalidade nos põem.
Creio que a popularidade global do Punk fez com que acabasse se tornando algo banal, caindo muito em qualidade. Principalmente na sua geração de 81, quando levaram a extremos absolutamente inconseqüentes, gerando hordas odiáveis de neo-nazistas que agiam de maneira estúpida pelo globo. Mas, trazemos aqui, um absoluta exceção a esta suposta regra: Cock Sparrer.
Um álbum ao vivo fantástico. Não cairei no mérito da apreciação ideológica do grupo, capaz de provocar muitas aversões. Mas se nos atermos apenas à qualidade do grupo em si, constatamos que ele consegue se impor, fazendo um som empolgante, vibrante, instintivo. Como no post anterior, trata-se também de um grupo nem tão pesado, nem levinho, mas sim uma agressividade controlada, que faz com que nos descarreguemos dos estresses do dia-a-dia que insiste em nos devorar até os ossos.
Este álbum foi gravado em 1984, e traz um registro impecável. Destaque para o cover de uma música anti-racista do The Clash: White Riot. Para calar a boca de vez de certas pessoas que dizem que a banda é “Skinhead nazista”. Por outro lado, um de seus maiores trabalhos é justamente uma letra contra a imigração para a Inglaterra: England Belongs to Me. Apesar de tudo, há uma inegável qualidade sonora, que muito agradará aos fãs do gênero. Da primeira à última faixa, contagiante... Um dos melhores álbums punks ao vivo que já ouvi!
Vocês poderão encontrá-lo na Galeria do Rock (em São Paulo) por apenas R$ 14,00, se possível compre-o.



1. Riot Squad - Cock Sparrer
2. Watch Your Back - Cock Sparrer
3. I Got Your Number - Cock Sparrer
4. Take 'Em All - Cock Sparrer
5. We Love You - Cock Sparrer
6. Working - Cock Sparrer
7. Argy Bargy - Cock Sparrer
8. Where Are They Now - Cock Sparrer
9. White Riot - Cock Sparrer
10. Running Riot - Cock Sparrer
11. Sun Says - Cock Sparrer
12. Secret Army - Cock Sparrer
13. England Belongs to Me - Cock Sparrer
14. Chip on My Shoulder
Fico-lhes devendo a capa original do disco...

The Clash - S/T (US Version) (1977-79)



Estou tentando começar esta pequena resenha sobre o álbum de estréia do Clash há alguns minutos e não estou conseguindo... O que dizer do Clash? Uma banda efêmera, com apenas cinco anos de atividade (se ignorarmos a infeliz retomada do grupo em 1985), mas que conseguiu deixar uma obra que perdurará para sempre em nós, que fazemos questão de gostar de músicas não-sofisticas, simples e diretas... que nos façam descarregar a fúria que nos apregoam os dias. Surgida em meados de 1976, formada pelo “rodado” músico filho de diplomata Joe Strummer (*1952; +2002) e Mick Jones (egressos do 101ers), que acabaram se consolidando como uma das maiores duplas da história do Rock, como Jimmy Page e Robert Plant, Tommi Iommi e Ozzy Osbourne, David Bowie e Iggy Pop... Juntaram-se a eles o baterista Terry Chimes, e o calouro baixista Paul Simonon. Logo no primeiro ano lançaram, entre vários singles, White Riot, uma mensagem anti-racista e contra os brancos que “se achavam os fodões só por causa da cor da pele”, que no embalo dos Sex Pistols tornou-se grande sucesso. Os shows vibrantes que eles faziam como abertura para a banda de Johnny Rotten lhe valeram uma assinatura com uma grande gravadora: a Epic. Conseguindo grande divulgação global e uma posterior turnê muito bem-sucedida nos EUA. Essa mesma assinatura de contrato lhes valeram um rótulo posterior de “traidores do punk”, “vendidos”, etc... Enquanto os Pistols faziam um som essencialmente agressivo e niilista, o Clash já era mais sofisticado, com solinhos de guitarra sensacionais (Police & Thieves me dá vontade de chorar de tão fantástico!), letras como sempre politizadas (mesmo quando a banda abandonou o Punk em detrimento de uma música mais “world”, New Wave em Sandinista, eles continuaram a usar letras de protestos cada vez mais vêementes). Com a substituição de Terry Chimes por Topper Headon na bateria, a banda ganhou um músico habilidoso, mas um sujeito problemático. Enquanto a banda pregava o não-uso de drogas, Topper Headon se entupia de heroína (dizem que foi ele a causa do desmembramento da banda em 1982). Em 1977 eles lançaram o seu disco de estréia, auto-intitulado. Embora a mixagem seja ruim, a produção precária que provocou a demissão do resposável por esta fase da gravação, conseguiram emplacar um ótimo disco. Como norte-americano é fresco, em 1979 fizeram vários remendos no disco, que ora tornamos disponível aos senhores. Foram extraídas as faixas Protex Blue, 48 Hours, Cheat e Deny e acrescentadas os “hinos” Jail Guitar Doors, I Fought The Law (pouca gente sabe, mas na verdade é um cover do efêmero Bobfuller Four, da década de 1960 assim como Police & Thieves, que é do bootboy (regaeiro negro politizado britânico) Junior Murvin), a fantástica Complete Control, o descarado plágio de Can’t Explain do The Who, que é Clash City Rockers, o ska White Man... e por aí vai...
Enfim, nenhuma outra banda conseguiu emplacar tantas músicas fantásticas e eternas num mesmo álbum como o Clash. Sem falar em Janie Jones, Garageland, Remote Control, London’s Burning, Hate & War... enfim, todas... Na melhor estréia da história do Punk... no melhor álbum deste estilo que já pode ter existido...


1. Clash City Rockers
2. I'm So Bored With The USA
3. Remote Control
4. Complete Control
5. White Riot
6. White Man In Hammersmith Palais
7. London's Burning
8. I Fought The Law
9. Janie Jones
10. Career Opportunities
11. What's My Name
12. Hate And War
13. Police And Thieves
14. Jail Guitar Doors
15. Garageland
Faixa Extra: 16. Protex Blue

Download:
http://www.mediafire.com/?ttxtxxjuzgd

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Television - Marquee Moon (1977)



Surgida na década de 1970, a Televisão antecipou em pouco o Punk e em muito a New Wave oitentista. Vindas daquele seleto grupo nova-iorquino ligado à contracultura, do qual participavam Patti Smith, Lou Reed e Andy Warhol, foi formada originalmente por Tom Verlaine e Richard Hell, chegaram a dispensar Dee Dee Ramone em um teste para guitarrista da banda, que teve dificuldades para se formar. Breve, eles se viam tocando no lendário CBGB. Foi lá que Tom conheceu e fletou com Patti Smith. A banda atingiu um imenso reconhecimento, não seria nenhum exagero dizer que o CBGB tornou-se lendário por conta das noites em que se apresentavam Television e Patti Smith, e não o contrário. Richard Hell fora expulso por conta de "seus excessos", em 1976 assinam com uma gravadora de porte considerável, a Elektra, e em 1977 sai este primeiro álbum.



Com verdadeiras viagens, que por vezes chegam passam dos dez minutos (Marquee Moon, a faixa título), um ritmo de acompanhamento acompanhados de uma caótica evolução de solos de guitarras, somadas a um vocal quase melancólico e que nunca desafina. Esta é a síntese desta fantástica banda nova-iorquina no seu álbum de estréia. Destaque para as excelentes faixa-título, Prove It, com uma batidinha visceral e Friction com seu clima quase matinal. Disco imprescindível pra quem gosta de música alternativa.
Este texto no Mofo é muito mais elucidativo que o meu: http://www.beatrix.pro.br/mofo/television.htm

Faixas:
1 See No Evil
2 Venus
3 Friction
4 Marquee Moon
5 Elevation
6 Guiding Light
7 Prove It
8 Torn Curtain
9 Little Johnny Jewel Parts 1 & 2 (Bonus Track)
10 See No Evil (Alt Version) (Bonus Track)
11 Friction (Alt Version) (Bonus Track)
12 Marquee Moon (Alt Version) (Bonus Track)
13 Untitled Instrumental (Bonus Track)


Download:
http://www.mediafire.com/?m2tapyamily

Batmobile - Amazons from Outer Space (1989)



Aqui vai mais um disco do Batmobile, banda à qual já nos referimos elogiosamente...

Este é o álbum mais "eclético" da banda, onde eles deslizam por praias antes inexploradas, como uma interessante fusão de Blues com Neo-Rockabilly em "Aardwark Blues". Constitui-se em um de seus melhores trabalhos, na sua melhor fase.

01 Ice Rock
02 Gorilla Beat
03 Aardwark Blues
04 Dead
05 Sinners Rock
06 Ravin' Women
07 Amazons From Outer Space
08 Sex-rays
09 The Hammerkilling
10 Hard-On Rock
11 Earthquake
12 Grab The Money And Run
13 Jungle Night




Agradecimentos a horror-psycho.blogspot.com

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

The Sonics - Here Are The Sonics



Quando se fala das bandas de Seatle, imediatamente nos vêm à cabeça aquelas "bandinhas" Grunge (com todo o respeito aos que apreciam este estilo). Mas Seatle, além de ser a capital ianque do pessimismo, vai muito além disso. Foi na década de 1960 que lá um dos ícones do Underground de seu tempo, embora tenham feito parte de uma grande gravadora. Muito antes de bandas como Sex Pistols, Clash, Buzzcocks e The Jam fazerem uma música simples, direta e furiosa, os Sonics já faziam isso. Os gritos, nitidamente inspirados em Little Richard, as guitarras barulhentas, o som abafado, uma barulheira absolutamente incomum na época. The Sonics, apesar de sua curtíssima duração, era uma banda muito à frente de seu tempo, e por isso, tornou-se notória posteriormente. Confesso que este álbum não é o meu favorito, principalmente pelo fato de conter muitos covers de músicas "mangiadas", como Roll Over Beethowen (Chuck Berry), Money (Beatles), Keep a Knockin' e Good Golly Miss Molly (Little Richard), Walkin' The Dog (Rolling Stones e Rufus Thomas). Mas mesmo fazendo covers, a banda consegue manter uma grande originalidade. Aliás, entupir discos de estréia com covers era uma imposição de gravadoras, para melhor divulgar o grupo, assim aconteceu com os Beatles, os Rolling Stones e outros. As músicas próprias são nitidamente melhores, fantásticas, como Have Love Will Travel, Boss Hoss, Strichnine e etc. Seja como for, trata-se de um disco imprescindível, que nos impede de ficar parado!

1. The Witch
2. Do You Love Me
3. Roll Over Beethoven
4. Boss Hoss
5. Dirty Robber
6. Have Love Will Travel
7. Psycho
8. Money
9. Walkin' The Dog
10. Night Time Is The Right Time
11. Strychnine
12. Good Golly Miss Molly
13. Keep A Knockin'
14. Don't Believe In Christmas
15. Santa Claus
16. The Village Idiot
*As últimas quatro faixas são bônus
Para saber mais: http://www.inmusicwetrust.com/articles/22r28.html
Download: http://www.mediafire.com/?133meeubozm

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Guided By Voices - Under The Bushes Under The Stars



Uma verdade absolutamente inqüestionável na música não-erudita (independemente do que signifique “verdade”) é que a criatividade é muito mais importante que a técnica. De nada adianta um indivíduo ser bem-experimentado em instrumentos musicais, ter um grande estudo, erudição e grande habilidade, se este não se dispor de criatividade. É ela a essência que resulta no surgimento de gênios. Robert Pollard, ex-professor de música e vocalista e guitarrista da banda em apreço, é a maior prova disso. O GbV consegue a proeza de lançar discos com vinte e cinco músicas, sem nenhuma regravação sequer, todas inéditas, quase todas assinadas por ele e todas dessemelhantes. A banda conseguiu apenas nesse seu nono álbum, intitulado “Sob os arbustos, sob as estrelas”, chegar ao ápice de sua criação. Embora as primeiras faixas do discos sejam um tanto “chatinhas”, o resto do disco é espetacular. Espetáculo esse que só pode ser percebido num todo e mesmo assim após algumas audições mais acuidadas. Cada música é um fragmento de algo muito maior e mais estupendo, que é o próprio álbum. Quando tomadas individualmente, cada música já não parece tão extraordinária assim.
Quaisquer elogios que sejam angariados a esta obra-prima, estarão somente contemplando o que é absolutamente óbvio, apenas ressaltando algo que é indubitável, embora não tão evidente. Fazendo uma música pouco trabalhada, mas que não chega a ser tão pesada, nem tão leve, mas sim equilibrada, no ritmo certo, numa harmonia caótica. O vocal também não é um grito desesperados, tampouco furioso, nada de choradeiras, mas sim no ritmo certo, que se entrosam perfeitamente com as letras, não menos notáveis. Como em “It’s Like Soul Man” (numa livre-tradução):
“Eu nunca gostei de você até o dia em que eu olhei para mim mesmo
E foi aí que eu descobri: que a melhor parte de mim é você mesma...
Como se fosse alma...”
Enfim, “Under the bushes, Under the stars” é algo absolutamente magnífico. Felizmente, muitos críticos não concordarão comigo (digo felizmente pois muito estimo e creio ser perfeitamente saudável diferenças de opiniões, porque prova que temos personalidade). E personalidade é o que sobra em Guided By Voices, em mais um disco que consegue amansar o Punk, embrutecer na medida certa o Indie, e sofisticar o Lo-Fi.
Baixem o disco, asseguro que os senhores não irão se arrepender... se arrependerem, basta pressionar a tecla delete, que serão apenas cinqüenta minutos que vocês jogaram fora de suas vidas pouco utilizadas...


1. "Man Called Aerodynamics" 2. "Rhine Jive Click" 3. "Cut-Out Witch" 4. "Burning Flag Birthday Suit" 5. "The Official Iron Men Rally Song" 6. "To Remake the Young Flyer" 7. "No Sky" 8. "Bright Paper Werewolves" 9. "Lord of Overstock" 10. "Your Name Is Wild" 11. "Ghosts of a Different Dream" 12. "Acorns & Orioles" 13. "Look at Them" 14. "The Perfect Life" 15. "Underwater Explosions" 16. "Atom Eyes" 17. "Don't Stop Now" 18. "Office of Hearts" 19. "Big Boring Wedding" 20. "It's Like Soul Man" 21. "Drag Days" 22. "Sheetkickers" 23. "Redmen and Their Wives" 24. "Take to the Sky"


Download: